Patrões querem incentivos do Governo no OE 2020 para aumentar salários no privado

Se o Governo quer que o setor privado aumente os salários dos trabalhadores nos moldes estabelecidos, tem de apresentar contrapartidas para as empresas já no OE 2020.

 

Na semana passada, o Governo acordou que se iria comprometer a que os aumentos salariais no setor privado ficassem acima da inflação e da produtividade. Agora, em entrevista ao Expresso, os líderes das confederações patronais reagiram, dizendo que só estão dispostos a aumentar os vencimentos dos trabalhadores se o Executivo der contrapartidas no Orçamento de Estado de 2020.

Os patrões exigem que o Governo de António Costa implemente medidas que favoreçam a competitividade das empresas, para que lhes seja possível aplicar os aumentos salariais desejados. Segundo as intenções do Governo, o aumento salarial seria acima de 2,7% em 2020 e mais do que 3,2% em 2023.

As exigências das empresas são partilhadas pelo presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, pelo presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes, pelo presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros e pelo presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Oliveira e Sousa.

Algumas das medidas idealizadas passam por benefícios fiscais ao reinvestimento de lucros ou então uma descida das tributações autónomas, explica o Expresso. São também propostas mais verbas para a formação profissional ou a revisão das regras do Fundo de Compensação do Trabalho.

Sem ainda terem chegado a nenhum compromisso, o Governo tem apenas algumas intenções delineadas. Resta agora negociar com os líderes das confederações patronais para chegarem a um consenso que beneficie ambos. “Da parte das confederações patronais há toda a disponibilidade para chegar a acordo“, reforça António Saraiva.

A intenção é ver, pelo menos, ver esta medidas de incentivo às empresas refletidas no Orçamento de Estado do próximo ano. Eduardo Oliveira e Sousa recorda já um compromisso antigo de baixar o IRC para 17%, que apesar de não estar em debate, “não devia ser perdida de vista”.

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